Aquele pedacinho

Nem tudo precisa ser como a gente planeja.

Criar, sujar, limpar. Repita o processo.



Trabalhar com cerâmica significa, literalmente, colocar a mão na massa.

É preciso pensar que você vai se sujar, que vai ter muita coisa pra limpar e que, se você trabalha com massas diferentes, tem que tomar cuidado pra essa sujeirada toda não contaminar as peças.

Como eu costumo trabalhar com dois tipos de massas, a porcelana principalmente nos moldes e o barro vermelho no torno, eu preciso tomar um super cuidado na hora de sair do torno e ir pros moldes e pra barbotina. Tenho que lavar todas as ferramentas que acabo usando nos dois processos e principalmente lavar muito bem as mão, pra tirar todos os resíduos de massa vermelha e não transferir pras peças de molde. Mas é claro que sempre tem aquele pedacinho, aquela pedrinha minúscula e malandra que resolve fazer um “intercâmbio cultural”.

Mas trabalhar com a cerâmica é aceitar que às vezes as cores mudam, as formas mudam, nem tudo está sob controle. E isso tem me ensinado que é muito bom não querer controlar tudo mesmo. Deixa a pedrinha viajar! Deixa o tempo agir sobre a forma. Deixa cada molde ter a sua personalidade.

Fazer cerâmica é aprender a aceitar as coisas como elas são. Não no sentido de passividade ou resignação, mas aceitar que o nosso jeito é só um dos possíveis jeitos de levar a vida.

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